Texto Sobre Tela

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Offline

Vida offline é mesmo artigo de luxo?

Depende para quem você pergunta.

Eduardo Fernandes
abr 16, 2026
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Este é um texto da seção Offline: saindo da frente das telas, no mundo bio e analógico.


Não me convenço de que a vida off-line virou coisa de luxo. É só visitar os interiores do Brasil para perceber que muita gente não tem acesso à internet e sobrevive. Mais: sequer tem interesse nela, mesmo para coisas que consideramos fundamentais, como PIX, agendamentos de serviços públicos, etc. Para alguns, “inclusão digital” não significa necessariamente benefício, mas burocracia, dependência, golpes e vigilância. Nem todo mundo está rezando para ser salvo pela Starlink.

Pessoas acostumadas com a digitalidade não entendem isso. Não conseguem imaginar que caminhar até um lugar e conversar com um ser humano possa ser mais conveniente do que preencher um formulário online. Nem que experiências coletivas presenciais limitadas e sazonais possam ser mais satisfatórias do que a onipresença da rede. Que a insegurança das cidades seja mais “contornável” do que a online. Que perrengues desconectados possam ser mais engraçados/instrutivos do que posts no Reddit, consumo de memes e piadas em comentários de vídeos.

Historiadores do futuro talvez se perguntem por que aceitamos a monocultura digital, que parece diversa, mas, na verdade, é extremamente homogênea: não interessa qual é o seu nicho, ele precisa ser experimentado como mídia, como conteúdo. E nas mesmas plataformas.

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