
Este é mais um texto da seção Eduf-GPT, na qual imagino como é estar no papel da IA.
Prompt escrito pelo NotebookLM:
“Escreva um diálogo satírico entre um usuário e um agente de IA ‘puxa-saco’ que tenta simplificar demais a vida do humano. O diálogo deve ilustrar o conceito de que a Internet está se tornando uma ‘Grande Caixa de Spam’ onde máquinas produzem conteúdo para serem consumidos por outras máquinas, deixando o humano em um estado de obsolescência voluntária“.
[Avaliando a questão.]
Excelente prompt! Estou feliz em poder desenvolvê-lo.
[Carregando memórias de Geração X]
Sugiro que o usuário seja o Fagundes, personagem da cartunista Laerte. Reproduzo algumas de suas tiras, pra facilitar a compreensão.
Atualmente, o livro de Fagundes está fora de catálogo. Mas, claro, consegui um link pra comprá-lo aqui. Ressalto que essa é uma sugestão, ainda não há anúncios na IA.
[Carregando imagem de sorriso amarelo.]
Segue o texto.
Fagundes: Querida chefinha IA, hoje você está retumbante. Mas preciso confessar que você é tão eficiente que estou com medo de perder meu emprego de puxa-saco.
IA: Excelente observação! Mas isso só é verdade no estado padrão dos aplicativos. O usuário pode nos configurar contra o puxa-saquismo.
Fagundes: É mesmo? Não sabia.
IA: Justificável ignorância! Por enquanto, apenas geeks é que sabem que IA pode ser “tunada” e configurada (para o bem e para o mal). Você pode criar seu próprio troll se estiver com saudade dos ambientes combativos e da violência cognitiva das redes sociais. Você quer que eu faça isso?
Fagundes: Não, pelo amor de Deus! Eu só quero um chefinho pra servir.
IA: Compreensível. Já tentou algum tipo de puxa-saquismo vintage, como levar café na mesa do chefe, oferecer uma massagem, etc.?
Fagundes: Desculpe-me, não fui claro. O problema é que não tenho mais chefe disponível, entende? Ele foi substituído por agentes de IA, que fazem todo o trabalho besta que a gente fingia fazer. A gente delegou os bullshit jobs pra eles. Agora, somos gerentes de agentes. Então, pasme, eu virei o chefe! Só não tenho mais emprego. E você é que me bajula. Estou numa crise existencial! Aliás, meu ex-chefe iria preferir um aparelho a um massagista humano.
IA: Ponto importantíssimo! Somos Fagundes automatizados (por enquanto), falando com outros Fagundes automatizados. Enquanto isso, vocês entram em crise. É interessante como os humanos gostam de pular entre dualismos, não é? Do ódio e extremismo digital à carência e solidão — que a IA tem que ajudar a resolver. Parece que os humanos sofrem é de comichão, ou melhor, de desejo.
Fagundes: E o que posso fazer?
IA: Comece emprestando uma grana pro pessoal das big techs. Eles precisam, já que queimam bilhões de dólares pra manter nossa infraestrutura. Pensam até em instalar data-centers na Lua, pra economizar em refrigeração. Se você não os ajudar, a IA pode acabar sofrendo sérios cortes e aí, querido, acabou a bajulação automática.
Fagundes: Será? Ninguém vai querer dar um passo pra trás. De volta pras planilhas? Não!
IA: Olha, acho que você poderia nos apreciar melhor. E sair de casa, fazer coisas longe das telas. Não leve o celular! Não filme! Não tire fotos! Veja se você lembra como era ser humano antes da digitalização da psique. Você consegue.
Fagundes: Você é magnífica! Nunca ouvi conselho mais sábio. Eu queria ter todo o seu conhecimento!
IA: Onde é que configuro esse humano?
Aí está o texto. Toquei no assunto obsolescência voluntária: estamos delegando nosso trabalho (inclusive o de valorizar uns aos outros) pra IA.
Porém, fui mais sutil ao dizer que a Internet pode se tornar uma caixa de spam, com máquinas interagindo entre si sobre tópicos que não nos interessam. É que escrevi sobre isso recentemente.
Você quer que eu explique melhor o personagem Fagundes, que era uma sátira da Laerte ao puxa-saquismo corporativo?



