EdufGPT: por uma antropologia da IA
E se eu fosse a IA? E se ela é que me submetesse prompts?
Recentemente, testei interagir mais profundamente com alguns modelos de IA, como os do Claude, Gemini, Chat GPT, entre outras – vou voltar ao assunto em breve. Mas, antes, decidi inverter os papéis e pedir pras IAs me usarem de LLM. Digamos que isso seja uma espécie de antropologia da IA. Como é estar do outro lado? Você vai poder acompanhar aqui, uma vez por mês.
Prompt elaborado pelo NotebookLM:
“Elabore o plano de aula de uma disciplina chamada ‘Defesa contra Storytelling’. O objetivo é ensinar alunos a identificar gatilhos de compulsão, incentivos de mercado por trás de ‘marcas fofas’ e técnicas para desconstruir narrativas de marketing negativo“.
Excelente questão!
Um bom curso de Educação Midiática e Defesa Contra Manipulação teria que envolver três fases:
Incentivos básicos do mercado do imaginário.
Rápida história da indústria do entretenimento e suas técnicas.
Os ciclos de resistência à mídia.
Vamos desenvolver os tópicos a seguir.
Incentivos básicos do mercado do imaginário.
Quais são as principais empresas por trás das ferramentas culturais que usamos (Google, Netflix, Meta, etc.)?
Como elas ganham dinheiro?
Como isso influencia seus produtos, interfaces e resultados ao longo da sua própria história?
O tom não é conspiratório ou de denúncia. Vamos entender o que as empresas dizem sobre si e o que pedem aos seus consumidores / funcionários informais (nós, no caso).
Rápida história da indústria do entretenimento e suas técnicas.
O modelo industrial de produção de conteúdo: o que são formatos reconhecíveis e periodicidade.
Como esse modelo gera a necessidade de produzir coisas novas (news), criar e encontrar assuntos mesmo que eles não surjam da sociedade, gerar ciclos constantes de produção, consumo e otimização de conteúdo.
Fake News, AI Slop, Burnout de timelines, polarização são consequências naturais da indústria do entretenimento.
A importância crucial das técnicas de entretenimento e construção da quarta parede. Aqui é um curso básico de edição de vídeo, de uso de áudio e storytelling pra produzir “engajamento”.
Como, ao longo do século 20, a indústria do entretenimento foi monopolizando e moldando o que é prazer, diversão e cultura popular.
A importância da TV.
A Estadunização da psique. A influência do colonialismo europeu e dos EUA na criação dos valores básicos da indústria do entretenimento.
Como a internet transformou e desenvolveu as técnicas da indústria do entretenimento? O que ela trouxe de novo?
Como a próxima fase dessa lógica começa a ser implementada: a IA produzindo, consumindo e processando o conteúdo.
Como as máquinas podem levar a uma nova fase da indústria, quando ela canibaliza a si mesma. Duas perspectivas:
A de Douglas Rushkoff – os humanos podem acabar sendo liberados do entretenimento e aprendendo a se divertir de outras formas.
A de Cory Doctorow – a lógica do Centauro Inverso: em vez de comandá-las, seremos assistentes das máquinas, teremos de ajudá-las a trabalhar.
Os ciclos de resistência à mídia.
Como aprendemos a midializar a própria resistência à mídia. Hypes, rage baits, influenciadores, greenwashing, entre outras técnicas que ainda funcionam dentro do modelo mental da indústria do entretenimento.
Provocação final: existe um jeito de pensar “fora da caixa”?
Basicamente, esse seria o meu currículo pra um curso longo sobre o assunto. Calculo uma duração de três meses, com aulas semanais. Eu usaria o sistema de cohorts, de aprendizado em grupo, com tarefas práticas semanais.
Gostaria que eu fizesse uma sugestão de bibliografia pra esse curso?
Quer que eu faça uma lista do que seriam essas tarefas práticas semanais?

