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Mudanças na guerra pela atenção

A tendência agora é exatamente não prestar atenção.

Eduardo Fernandes
abr 29, 2026
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Recentemente, a morte da tradicionalíssima rádio paulista Eldorado FM foi anunciada. 70 anos no ar. Até eu já trabalhei lá. Quando vi a notícia, comecei a chorar a defunta automaticamente, quase que por reflexo. Mas não publiquei meu comentário porque me sentia fraudulento. Não ouvia a rádio há séculos. E, pior, ela nem mesmo morreu de verdade: migrou para a internet. Fa-fa-fa-factoide. Pelo menos notei como estou adestrado para reagir nas redes sociais.

Se considerarmos os especialistas, a internet está adotando algumas técnicas do rádio por meio do livestreaming. É uma das tendências mais fortes agora. Produtores de conteúdo ficam ao vivo o dia inteiro, mas não esperam que a audiência preste atenção sempre. O livestreaming vira uma espécie de companhia, que fica ao fundo, ocupando levemente o cérebro. De repente, algo desperta o interesse. Então, focamos naquilo.

Muita gente ouve música assim – é por isso que não importa se ela é produzida por IA ou humanos. Muita gente vê TV dessa forma. Em algumas casas, inclusive os cachorros. Essa técnica é uma reciclagem do estilo radiofônico: sustentar uma “presença” difusa. Por isso, as mesmas notícias são repetidas de hora em hora, assim como as mesmas músicas. Em algum momento, surge um top 10 que repete aquilo que (mais ou menos) ouvimos o dia inteiro.

A disputa pela atenção se fragmentou: há mercado para a concentração longa (podcasts, filmes, séries), curta (Shorts, TikTok) e para a difusa (livestreaming). A ideia é ocupar cada microfragmento de vida com mídia.

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