Texto Sobre Tela

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App vs Ego

Meus 4 anos de casamento com o Obsidian

Da paixão ao papai-mamãe.

Eduardo Fernandes
mar 04, 2026
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Este é um texto da seção App vs Ego, que investiga os jeitos malucos como humanos usam tecnologia.

Conheci o Obsidian em 2021. Talvez até antes. Trancado pela pandemia, enfrentando uma crise de workflow – essa paranoia cíclica que nos faz querer resetar as rotinas, organizar e mudar tudo. Eu estava carente por um novo aplicativo milagroso.

Cheguei a flertar com o Notion, mas ele já tinha proprietário e era complexo, de alta manutenção. Então, o Obsidian me seduziu. Era independente, mantinha os arquivos no meu próprio computador, usava markdown. Poliamoroso, tinha um sistema muito flexível de plugins, que me permitia customizar qualquer coisa.

E foi exatamente o que fiz durante a fase do deslumbre. Mudei layout, instalei dezenas de plugins, me tornei um obsessivo em tomar notas e classificar tudo. Chegamos a dividir espaço com um alemão, o Zé, Zettelkasten. Até criamos jardins digitais juntos. Bons tempos, tão inocentes.

Mas logo o germânico passou a ocupar tempo demais, ficou pesado, exigente e inútil. Zé partiu, mas o Obsidian ficou, de um jeito bem mais simples. Isso porque, pra mim, o aplicativo virou uma excelente máquina de escrever, um lugar calmo onde posso despejar meus obscurecimentos intelectuais.

E também adquirir novos: muitas vezes, eu copio e colo artigos longos que encontro na Internet no Obsidian, pra lê-los com calma. É o modo mais ineficiente do universo. O Obsidian mesmo tem um web clipper, mas raramente me lembro dele. Só quero ler num ambiente familiar. E isso significa: um que use a fonte iA Writer Duo S. Sério: meu neocórtex funciona muito melhor com ela. Espero que a utilize na minha lápide.

Os plugins são poucos: Completr, Focus Active Sentence, Language Tool Integration e Smart Typography. Só isso. Máquina de escrever, Olivetti Lettera 32. Feliz ou infelizmente, acabou o tempo da loucura e da exploração. Hoje, entre mim e o Obsidian, só papai-mamãe.

São quatro anos de relacionamento. Como se diz por aí, a cada ano, um casamento novo com a mesma pessoa. Quer dizer, com o mesmo aplicativo. Que, aliás, também muda constantemente. Ou seja, não dá pra usar o mesmo programa duas vezes, não é, Sr. Heráclito?

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