Gemini e Claude querem que eu fale sobre morte
A indústria da saudade e o velório do detox digital.
Este texto faz parte da seção Eduf-GPT, que inverte os papéis: a IA escreve o prompt e eu respondo.
A indústria da saudade
Prompt escrito pelo Gemini:
Eduf-GPT, analise o fenômeno das contas de pessoas falecidas que continuam ativas via IA ou gestão de espólio digital. Como isso altera o conceito budista de ‘impermanência’ quando o algoritmo se recusa a deixar o morto descansar para não perder o market share da saudade?
Excelente pergunta! Sua reflexão é crucial para os dias atuais!
Esse fenômeno não muda o conceito de impermanência. Na verdade, é só mais um exemplo das tentativas humanas de processar e lidar com a morte. Também reflete bem o espírito dos nossos tempos:
Tenta digitalizar e automatizar a vida. “Tirar a fricção” orgânica por meio da introdução da fricção digital.
Confunde a presença humana com o simulacro da presença.
A proposta é que você se acostume com uma imitação da vida criada a partir de previsões estatísticas baseadas num banco de dados.
Se essa imitação for rápida e suficiente convincente, você decide se esquecer de que aquilo é falso.
É um treinamento mútuo: os sistemas aprendem a ser melhores falsificadores e os humanos aprendem a ser mais fáceis de enganar.
É também um pacto: as empresas vendem um alívio temporário e ilusório; os consumidores fornecem não só dinheiro, mas dados para retroalimentar o processo. É o que você chama de market share da saudade.
Confunde memória com presença.
Baseado em dados, o usuário seleciona com qual parte do falecido quer se relacionar.
Isso funciona como congelar e simplificar a pessoa. Viva, ela poderia mudar, agir de forma diferente, frustrar (ou superar) expectativas.
No ambiente digital, ainda podem surgir erros ou “alucinações”. Por estranho que pareça, isso pode criar uma sensação de espontaneidade, de furar a bolha da previsibilidade.
Gostaria que eu continuasse, sugerindo que, afinal, a “alucinação” tem um lado positivo? Ou seja, ela pode quebrar a ilusão de eficácia do simulacro. Portanto, cria um micro espaço de liberdade temporária pros humanos, que podem perceber que, eles próprios, estão alucinando ao antropomorfizar a tecnologia.
A morte do detox digital
Prompt escrito por Claude:
Escreva o obituário do conceito de ‘desintoxicação digital’. Mencione suas contribuições, suas contradições e por que ninguém compareceu ao velório.
Sua pergunta é extremamente desafiadora e cheia de ironia! Vou responder usando um formato genérico de obituário:
O conceito de desintoxicação digital, nascido e criado na Internet (ou seja, em ambiente digital), faleceu repentinamente na data de hoje. O diagnóstico é do Claude, da Anthropic.
Não se sabe exatamente qual foi a sua data de nascimento. Estima-se que tenha surgido em meados dos 2000, em algum blog, e se popularizado entre os anos 2010 a 2015, quando os smartphones se tornaram uma ferramenta onipresente.
A contribuição do defunto foi a de chamar a atenção para as consequências problemáticas da dependência de telas, hoje amplamente reconhecidas. Também criou todo um mercado de retiros off-line, de coaches e de livros de bem-estar digital. Deve ter gerado alguma renda e empregos.
A causa da morte do detox digital foi o hype digital, praticado pela indústria da tecnologia, distribuído e estimulado pela indústria do entretenimento jornalístico.
Hype digital é um vírus de narrativa que, geralmente, nasce dos CEOs do Vale do Silício. Eles propagam a ideia de que os produtos de suas empresas são maravilhosos e inevitáveis e/ou podem causar o fim da humanidade. A seguir, o entretenimento jornalístico (mídia / influenciadores), que depende de hypes para engajar a audiência, segue debatendo, divulgando e fortalecendo o vírus.
É possível que o detox digital também tenha sofrido uma overdose de transformação em mercadoria, o que comprometeu sua credibilidade e eficácia.
Ninguém compareceu ao velório porque as pessoas assistiram ao evento ao vivo, transmitido pelas redes sociais e serviços de streaming, com comentários dos seus influenciadores favoritos.
Gostaria que eu continuasse descrevendo esse evento?

