Câncer de Trópico 18: Do purgatório ao resort
Os últimos momentos na clínica masculina.
A sala de reuniões da clínica masculina parece ainda mais claustrofóbica. Agora são sete pessoas espremidas ali: três médicos (dois muito jovens), o Psi, eu, a Mãe e a Irmã. Ela pergunta:
“É certo que não tem mais nada pra fazer?”
Não sei exatamente qual é a hierarquia aqui, mas é um dos jovens residentes que toma a palavra:
“Seu pai não sai daqui vivo.”
Silêncio total. Vejo uma coreografia de olhos se arregalando na sala. A Irmã engole seco:
“Olha, eu tenho um convênio bom. De repente, a gente leva ele pra…”
“Pode levar pra NASA. Não tem jeito”, continua o residente, impassível.
Psi segura o braço do rapaz e olha pro médico mais velho, que tenta assumir o controle:
“Se a família concordar, a gente pode levar o paciente pro outro anexo do hospital. É muito mais tranquilo. É bem melhor equipado.”
Psi complementa: “É a área de cuidados paliativos. A gente começa lá e prepara seu Pai pra voltar pra casa.”
“É. A gente já tava conversando sobre isso. O Pai vai se sentir muito melhor em casa”, diz a …


