Câncer de Trópico 15: Problemas sobre problemas
O mundo não vai parar só porque seu pai está no hospital.
Mais uma curva nas ruas estreitas e íngremes da cidade. Não sei se a náusea vem do movimento do Honda ou do esforço mútuo, meu e da minha irmã, pra evitar o assunto. Resolvo terminar a tortura.
“Você vai me jogar pra fora do carro se eu disser que acho que o Pai não deveria fazer radioterapia?”
“A essa hora já tá fazendo.“
Não funcionou. Silêncio de novo. Agora é ela que se arrisca.
“O que mais eu poderia fazer? Os médicos disseram que a radio poderia ajudar.”
“Ajudar no quê? O pai tá morrendo. A gente precisa aceitar isso.“
“É fácil pra você, né?”
Ela tem razão. Por alguma desconfiguração cerebral, não consigo sentir a perda como as outras pessoas. Mas preciso desenvolver a empatia. Preciso.


